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CONCURSO UBS - CODHAB/DF

Brasília, DF | 2016

 

Proposta para a Concurso Nacional de Arquitetura para a Construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) a ser construída na região administrativa Riacho Fundo II em Brasília, DF.

 

O programa de Saúde da Família (PSF), criado em 1994, consolidou-se através de uma mudança de paradigma no atendimento básico de saúde. Ao contrário do modelo tradicional, que trata essencialmente da enfermidade da população, o PSF trabalha mediante um processo preventivo e de acompanhamento integral, criando ações programadas que estimulam a mudança de hábitos e aproximam médico e paciente, tornando a relação mais próxima com consultas e acompanhamento tanto dentro quanto fora da Unidade.

 

Soma-se a essa estratégia, o conceito de Biofilia, descrito por Edward Wilson em 1984, que afirma que existe uma conexão natural entre o ser humano e a natureza, o “amor pela vida”. Essa hipótese posteriormente foi verificada por pesquisadores da área da saúde que então encontraram benefícios do contato com a natureza para as pessoas, estejam elas enfermas ou não.

Essas duas premissas fundamentam o partido do projeto desta Unidade Básica de Saúde (UBS), à ser construída no novo complexo do Parque do Riacho. A conexão entre ambos fica clara ao analisarmos a localização privilegiada do terreno junto ao entorno: entre duas praças previstas no plano urbanístico do conjunto. Tal localização propicia de maneira natural que o terreno onde a UBS será implantada atue como uma conexão entre duas áreas potencialmente verdes. A partir disso, o partido buscou inserir o novo edifício de modo longitudinal, permitindo e estimulando a existência de um fluxo entre as duas praças, o que torna a UBS parte do cotidiano dos moradores da região, fortalecendo seu aspecto comunitário.

 

O partido arquitetônico adotado propõe um edifício longitudinal de pavimento único, o que foi possível devido às dimensões do lote e sua topografia branda. A implantação integra as duas praças localizadas nas extremidades do terreno e divide seus fluxos internos. Na divisa em contato com o lote de uma futura instalação de outro equipamento de saúde se promove a circulação de pedestres e ciclistas, juntamente com a alternância de espaços permeáveis e impermeáveis o que cria pequenos pontos de encontro, espera e convívio próximos à UBS; aqui destaca-se a possibilidade da criação de um bosque em conjunto com a futura ocupação deste lote vizinho. Na divisa oposta, junto a área de domínio de uma futura instalação de transporte, se aloca o fluxo de carros e as áreas de estacionamento. Ainda sobre a implantação, o afastamento do edifício junto à praça cria uma área de expansão da mesma, um bosque ao redor de um grande platô impermeável no qual a UBS poderá promover ações de saúde ativa, incentivando e promovendo a prática de atividades físicas em meio a um ambiente natural convidativo.

 

Quanto ao edifício em si, o partido adotado foi regido por três princípios básicos: eficiência construtiva, conforto higrotérmico e espacialidade.

 

A questão da eficiência construtiva foi abordada através da utilização de um sistema construtivo baseado em quadros modulados em estrutura metálica de aço. A escolha pela estrutura metálica, aliada a lajes pré-moldadas de concreto, a vedações de placas cimentícias e de gesso acartonado, e a esquadrias de piso teto, possibilitam um obra simples, rápida e seca. Este sistema modulado permite também a fácil expansão do edifício, além de facilitar a sua adaptabilidade e replicabilidade em outros terrenos.

 

O conforto higrotérmico orientou toda a materialidade do edifício, de modo que fosse atingido um edifício ventilado e iluminado, ainda que protegido do calor e privativo. O principal ponto nesta abordagem, foi a opção pela divisão do programa em duas barras paralelas, além da estrutura individual de cada barra, baseada no conjunto transversal: sala – corredor – sala. Esse partido permite que toda e qualquer sala do edifício possua uma grande janela, ao mesmo tempo que o conecta através de uma pequena janela alta ao corredor, onde há uma claraboia apoiada sobre uma veneziana metálica que permite a constante ventilação do edifício (efeito chaminé), além da iluminação natural do corredor. Somado a isso, foi proposta também uma segunda pele envoltória ao edifício apoiada sobre o prolongamento em balanço das vigas metálicas do quadro. Esta pele se materializa com o uso do cobogó: um tradicional elemento da arquitetura brasileira que dá privacidade ao interior do edifício e gera, ao mesmo tempo, sombra às paredes de vedação externas, permitindo a livre circulação do ar. A camada envoltória também cria um espaço que pode ser utilizado para o abrigo de equipamentos técnicos, sem prejuízo ao visual externo do conjunto.

 

Por fim, a espacialidade do edifício buscou leveza como ponto principal de sua ambiência. Salas de espera foram diluídas pela extensão do edifício, sempre localizadas ao lado de jardins internos. Corredores recebem iluminação e ventilação naturais através de clarabóias, elemento que torna o corredor um espaço leve onde, mesmo que rodeado por paredes, o usuário possui uma conexão visual com o meio externo. O pátio interno é criado a partir da separação do volume em duas barras, este espaço dá contato direto com o meio natural à todos os usuários do edifício. A UBS proposta será um espaço com qualidade de iluminação e ventilação naturais, integrado ao meio ambiente em que está inserido, pontos fundamentais a um espaço de saúde.

 

 

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