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EXPO2017 - DESCOBRIR OS RIOS

Curitiba, PR | 2017

 

des.co.brir.

- tirar a cober tura de algo que se encontrava total ou parcialmente oculto; abrir; destampar.

- encontrar com os olhos; avistar, divisar, perceber.

- achar ou passar a conhecer algo cuja existência era desconhecida.

- dar a conhecer algo até então ignorado; encontrar pela primeira vez.

- tomar conhecimento de algo; atentar, constatar, notar.

- manifestar(-se), revelar(-se) algo.

 

Descobrir os rios de Curitiba é um processo que vai além do viés ecológico e ambiental naturalmente assumido quando se aborda o tema; descobrir os rios da cidade é um processo de reconhecimento da própria identidade cultural da cidade, um processo atrelado ao nascimento e ao desenvolvimento histórico do espaço urbano. Em parceria com os estudantes de arquitetura da UFPR, UTFPR, PUC-PR e UTP, buscamos com esse projeto revisitar a origem do aglomerado urbano de Curitiba, analisando trechos do Rio Belém e do Rio Ivo no Centro da cidade, buscando resgatar esses importantes corpos hídricos do esquecimento subterrâneo, levantando essa importante discussão no contexto da EXPO2017 - Arquitetura para Curitiba.

 

Os Rios e Cidade

 

A relação das cidades com os rios remonta aos primórdios da humanidade quando, em busca de fertilidade e suprimento de água, nossos ancestrais começaram a se assentar na proximidade de rios. Porém, com o desenvolvimento urbano destes assentamentos, a relação passa a assumir um caráter sanitário, utilizando-se dos rios como escoamento de esgoto. Neste processo, os rios passam a ser vistos como “problemas”, por conta da proliferação de doenças, acumulação de lixo, e principalmente, o mau cheiro. Aquilo que antes atraia pessoas, passou a afastá- las. Assim, muitas cidades ao redor do mundo, acabaram por resolver essa questão sanitária de maneira banal : canalizando e escondendo esses rios no subsolo das cidades.

 

Felizmente, nos últimos anos tem surgido um movimento de revalorização dos rios urbanos ao redor do mundo. Cidades como Seul, Fez, Seattle, Piracicaba, entre outras, começam a apresentar os benefícios da retomada dessa relação. Curitiba, cidade que tanto explora a imagem de cidade ecológica, ainda parece ignorar este movimento. Em conjunto com os estudantes, optamos por olhar sobre os rios que marcam a origem do aglomerado de Curitiba, o Rio Belém e o Rio Ivo.

 

A Ocupação do Espaço Urbano

 

Ao analisarmos os trechos, ficou claro que ambos os espaços foram dominados pelos automóveis, o que de fato consolidou essas vias como importantes conexões do tráfego urbano, mas que pouco a pouco foram afastando o pedestre do local. Recentemente, com o novo projeto da chamada “Área Calma” no Centro de Curitiba, o IPPUC declarou ter por objetivo a humanização da cidade, com a redução da velocidade do tráfego de automóveis, e uma consequente diminuição no número de acidentes. Porém, essa iniciativa trata apenas um dos problemas dos espaços.

 

Durante nossas discussões, buscamos como referência a obra de Jan Gehl , e seus 12 pontos propostos para a qual idade dos espaços públicos para os pedestres (expostos na figura ao lado). Novamente, projetos espalhados ao redor mundo, demonstram o poder de atração dos corpos hídricos no ambiente urbano, e consequentemente, os benefícios sociais e econômicos trazidos por uma maior vital idade urbana.

 

O Rio Belém

 

Após a análise e discussão dos dois trechos, optamos pela intervenção no Rio Belém, visando a exploração de um maior número de usos do rio, e o impacto imediato de um estudo em uma região tão importante na dinâmica urbana atual. Sendo assim, realizamos entrevistas online e presenciais no espaço, buscando entender melhor a relação dos usuários com a rua, além dos pontos considerados

positivos e negativos da real idade atual e de uma possível descanalização do rio. Enxergarmos na descanalização a chance de retomarmos a relação do cidadão com o rio, a chance de trazer maior vital idade a uma área degradada do centro da cidade, e a chance de reconectarmos o curitibano com sua história.

 

A Proposta

 

A proposta apresentada foi construída de modo colaborativo com os alunos participantes, buscando além da elaboração de um projeto, iniciar uma discussão sobre o tema, buscando entender a relação do homem com o espaço construído e natural. Após as discussões iniciais acerca da origem de Curitiba e sua relação com os rios ao longo do tempo, passamos a discutir o movimento de reabertura de

rios canalizados e enterrados ao redor do mundo. O estudo de outras iniciativas apresentou diversas possibilidades no trato do rio. Decidimos então, explorar diversos usos ao longo do trecho escolhido, explorando não só a caixa do rio, como também alguns lotes subutilizados do entorno. Optamos por trabalho os seguintes usos: esportivo - canoagem, natação, yoga, quadras poliesportivas, escalada, skate e outros; cultural: museu da história dos rios de Curitiba, palco multiuso, área expositiva; gastronômico: espaços para

refeições; contemplação: jardins e arquibancada. Deste modo, construímos uma discussão diversa acerca de múltiplos pontos da nova relação proposta. Entendemos que a qual idade dos espaços públicos de uma cidade está diretamente relacionada a presença e a qual idade de espaços naturais, assim como ambas estão diretamente relacionadas a qualidade de vida de seus cidadãos. O resgate da relação do homem com a natureza em meio ao espaço urbano se faz desejável e necessário. Descobrir os rios escondidos no subsolo das cidades, é apenas uma estratégia possível para se atingir tal objetivo, mas talvez seja uma das mais evidentes em virtude dos níveis alarmantes de poluição atingidos. As cidades estão em constante transformação e a discussão uma necessidade permanente.

 

 

 

 

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